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Uma série de estórias e acontecimentos da vida de Profetas ou homens de Deus

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Noé e o cachorro feio

Certo dia, muito antes de ter construído a Arca, Profeta Noé passava por um caminho deserto e viu um cachorro. O cachorro não era algo agradável de se olhar. Ele era muito, muito feio. Tão feio que Noé não gostava de sequer fitá-lo com os olhos. Por fim, Noé se sentiu enojado ao olhar o cachorro feio e disse para si: “Meu Deus! Que cachorro feio!”.

Imediatamente, por Vontade Divina, o cachorro começou a falar e disse para Noé: “Ó Noé, eu sou feio. Isso é triste, não há dúvida. Mas, se você tiver poder para tal, crie um cachorro mesmo que tão feio quanto eu. Será que você tem condições de fazer isso?”.

Noé era um homem bom, humilde e sincero. Ele percebeu que ele não deveria ter dito o que disse e começou a chorar lágrimas de arrependimento. E, então, implorou o perdão de Deus aos prantos.

Moral da História: Nunca odeie qualquer criatura não importa quão feia ela seja, porque ela também é uma criação de Deus.

Profeta Abraão e o idoso

Profeta Abraão avistou, certa feita, um magnífico vale cercado por montes, na Palestina. Então, ele parou para descansar, armou sua tenda naquele imenso vale e deixou seu rebanho pastar. Esse vale era usado por viajantes e por essa razão os viajantes visitavam Abraão freqüentemente. Profeta Abraão os recebia afavelmente, falando com eles de modo benévolo e os supria com água fresca para beber, comida apetitosa para comer e cama para dormir.

Essa virtude dele é descrita no Alcorão. Toda manhã Profeta Abraão ia para a rota principal próxima a sua casa, esperando os viajantes passarem. Assim, que ele os avistava, ele os convidava para a sua casa. Essa era uma ação que Profeta Abraão apreciava muitíssimo. Ele adorava deixar os outros felizes e confortáveis.

Por conseguinte, Profeta Abraão costumava trazer todo dia pelo menos um convidado a sua casa. Se ele não conseguisse encontrar um viajante num dia, ele ficava triste. Sem convidados, ele próprio não tocava em comida.

Profeta Abraão pregava para os seus convidados. Ele queria que as pessoas adorassem a Deus, o Uno e Único. Ele não queria que as pessoas associassem qualquer parceiro com Deus. Depois de alguns anos, as pessoas começaram a perceber que Abraão era uma pessoa boa e generosa. Eles já estavam familiares com a sua moral, generosidade e amor aos convidados. Eles tinham ciência da sua retidão, adoração e piedade.

Certa vez, aconteceu de nenhum viajante passar pelo caminho por três dias consecutivos. Isso, naturalmente, irritou Profeta Abraão, deixando-o triste. Sem um convidado à mesa, ele não comia nada. Toda manhã, ele ia para a rota principal esperançoso de encontrar alguém. Contudo, nenhum viajante era visto no horizonte. Toda noite, ele voltava a sua casa desapontado.

Três dias se passaram. Numa manhã um senhor de idade apareceu montado num camelo. Profeta Abraão ficou feliz e convidou o senhor a sua casa para comer com ele. O senhor aceitou o convite.

Na casa, eles se sentaram para comer. Profeta Abraão recitou o Bismillah (Em nome de Deus) antes de comer a comida, mas o senhor não disse nada. Profeta Abraão perguntou porque ele não relembrou de Deus antes de iniciar a refeição. Não era Deus o nosso Criador e Provedor? Não era apropriado recordar-se d’Ele antes de comer a comida provida por Ele? O senhor disse que esse não era o costume na sua religião. Profeta Abraão perguntou qual era a sua religião. Ele disse que ele era um daqueles que adoravam o fogo. Profeta Abraão ficou bastante aborrecido ao ouvir isso e mandou o senhor embora.

Assim que o velho foi embora, o Anjo Gabriel veio ao Profeta Abraão, sob o comando de Deus. Gabriel disse a Abraão que Deus tem alimentado esse incrédulo por setenta anos. Não poderia o Profeta Abraão tolerá-lo por apenas uma refeição!? Profeta Abraão ficou muito triste com isso. Imediatamente, ele correu atrás do idoso. Finalmente, ele o alcançou e o persuadiu a retornar a sua casa para eles comerem juntos!

Moral da História:
(1) Independente de quão bom você seja, isso não lhe dá o direito de julgar outras pessoas.
(2) Você deve sempre procurar o perdão e o aprazimento de Deus.
(3) Sempre entretenha e agrade um convidado.

Estratégias de Satanás para enganar os humanos

Durante a época do Profeta Moisés, havia um crente que costumava orar dia e noite na lage da sua casa. Certo dia, lhe contaram que algumas pessoas da sua vila estavam adorando uma árvore. O crente considerou seu dever moral reformar as pessoas, mas quando ele viu que as suas palavras não causavam efeito algum, ele decidiu cortar a árvore.

Satanás abordou o crente (na forma de um velho) e disse: “Você é uma pessoa santa, qual a necessidade de você largar as suas práticas religiosas e se engajar nesta tarefa?”.

O crente disse: “Isso também é adoração”. Satanás replicou: “Em todo o caso, eu não permitirei que você corte a árvore”.

Os dois começaram a brigar e no final o crente montou no peito de Satanás, rendendo-o. Neste instante, Satanás disse: “Se você me soltar, eu tenho a algo a lhe dizer”. Quando o crente soltou a sua vítima, Satanás disse: “Deus não fez o corte desta árvore uma obrigação sobre vós. Você próprio não presta adoração a ela. Nesse caso, qual a justificativa para se envolver nesse assunto, o qual não é obrigatório (Wajib). Você não é nem um Profeta, nem Deus vos instruiu nessa questão. Conseqüentemente, trata-se da vontade de Deus, Ele fará com que a árvore seja cortada”.

O crente disse: “Eu a cortarei”. Uma nova briga se iniciou entre os dois e novamente o crente rendeu Satanás.

Satanás, então, fez outra sugestão.

Ele disse: “Eu vos direi algo que decidirá o assunto entre nós. E isso também será vantajoso para ti”. O crente soltou Satanás e lhe perguntou qual era a sua proposta.

Satanás disse: “Você é um destituído. Você não possui nada. As pessoas arranjam pão e roupa para ti. Não desejas possuir riqueza e você próprio ter condições de satisfazer a necessidade alheia? Além disso, você vai levar uma vida independente dos outros”.

O crente disse: “Sim, eu vejo o seu argumento como muito plausível. Portanto, diga a sua proposta”.

Satanás disse: “Eu colocarei duas moedas de ouro debaixo do seu travesseiro toda noite. Você poderá usá-las durante o dia, bem como ajudar as pessoas necessitadas. Será algo benéfico para sua vida no outro mundo se você ajudar os outros. Ademais, se você cortar a árvore, as pessoas plantarão uma outra árvore e passarão a adorá-la também”.

O crente pensou: “Eu não sou um Profeta. Não é meu dever religioso cortar esta árvore. Deus não me ordenou especificamente a cortá-la. A sugestão que o bom homem (Satanás) deu é, sem dúvida, mais vantajosa”. Assim, o crente aceitou o conselho do velho (Satanás). Ele dormiu e na manhã seguinte achou duas moedas de ouro debaixo do seu travesseiro. No dia seguinte, ele pegou novamente duas moedas de ouro sob o travesseiro. No terceiro dia, ele não encontrou as duas moedas de ouro. Quando isso aconteceu, ele ficou irado e saiu de casa decidido a cortar a árvore. Satanás, o maldito, apareceu (na forma do velho) e perguntou: “Onde você pensa que vai?”.

O crente disse: “Cortar a árvore”. Satanás disse: “Eu não permitirei que você corte a árvore”. Em seguida, uma nova briga se iniciou, mas dessa vez Satanás rendeu o crente e então disse: “Se você não desistir, eu te mato”. Estando num estado de impotência o crente indagou: “Por que das duas outras vezes eu consegui te render e agora você é que me rendeu”.

Satanás disse: “Primeiramente, você partiu para cortar a árvore puramente no caminho de Deus. Havia sinceridade nas suas intenções. Hoje você está encolerizado por não ter pegado duas moedas de ouro. Sua iniciativa não é puramente pela causa de Deus. Essa é a razão pela qual eu obtive vitória sobre ti”.

Moral da História: Manter-se afastado de intenções impuras e insinceras é, de fato, difícil, mas não impossível. Isso pode ser feito através de reflexões constantes e duma verdadeira compreensão do objetivo da nossa vida. Nós temos que entender aquilo que Deus realmente quer de nós, sem ser influenciado por Satanás.

Quem é o meu vizinho no Paraíso (Janna)?

O jovem ouviu uma batida na porta! “Quem é?”, ele perguntou. “Eu sou um estranho de um lugar distante”, foi respondido. Ele foi ensinado que os visitantes eram uma misericórdia (Rahma) de Deus, então ele convidou o estranho e o fez se sentir bem-vindo.

De quando em quando, o jovem pedia permissão para se ausentar por alguns instantes. Ele se ausentava por um momento e depois retornava ao visitante. Isso aconteceu várias vezes. O visitante perguntou a razão das freqüentes ausências. O jovem disse que ele estava indo ver a sua mãe que já era de idade e não estava muito bem.

O visitante perguntou se ele podia dizer salaam (cumprimento) para a mãe dele. “É claro que pode”, disse o jovem, “Eu tenho certeza que ela vai ficar bastante feliz”.

O visitante viu uma mulher fraca e idosa na cama, sem nenhuma vitalidade. A única parte do seu corpo que estava se movendo era a sua boca, dizendo silenciosamente algo que ele não conseguia entender. O visitante perguntou ao jovem se ele sabia o que a sua mãe estava dizendo. O jovem meneou a cabeça e disse: “Desde de jovem, ela sempre orava por mim toda vez que eu fazia algo para ela. Ela dizia: ‘Que Deus faça sua morada junto à vizinhança dos Seus mensageiros’”.

O visitante sorriu e disse: “Diga a ela que a sua oração foi atendida. Eu sou Moisés! Eu perguntei a Deus quem seria o meu vizinho no Paraíso e Ele me deu o seu endereço”. “Eu perguntei a Ele como essa pessoa se tornou um vizinho dos profetas. Ele me disse para eu vir e constatar por mim mesmo”.

Os dois irmãos

Durante o tempo do Profeta Moisés havia dois irmãos que viviam na mesma casa. Um vivia no andar de baixo e o outro no andar de cima. Um acreditava em Deus e Seus Profetas e o outro era um ateu. Ambos faziam suas refeições juntos e por anos cada qual tentou convencer o outro que ele é quem estava certo. É relatado que o ateu era rico, ao passo que o crente não era.

Um dia o crente acordou pensando: “Parece que meu irmão está certo. Eu me esforço e oro bastante, mas em vão. Ele tem muito mais do que eu tenho! Eu vou descer e dizer ao meu irmão que ele está correto”. No mesmo dia, o irmão incrédulo acordou pensando: “Meu irmão está certo. Deve haver mais da vida do que isso. Eu subirei e direi ao meu irmão que ele está correto”. Os dois se encontraram no meio da escada, mas antes que eles pudessem dizer uma única palavra, o anjo da morte tomou as suas almas.

Profeta Moisés foi advertido disso por Deus e relatou o acontecido para o povo. O irmão que havia sido um crente por toda a sua vida morreu como um incrédulo (Kafir), enquanto o irmão que foi um incrédulo por toda a sua vida morreu como um crente (Mumin).

Moral da História: Nós devemos suplicar constantemente a Deus para manter a nossa fé a salvo e que nós não morramos senão como submissos a Ele.

Excelência da oração

Profeta Davi decidiu, certa feita, realizar orações e ler os Salmos (Zabuur) com a excelência que ninguém além dele poderia ter. Ele entrou no compartimento (Mihrab) e orou.

Depois que ele terminou, ele viu uma rã aparecer na sua frente e lhe perguntar: “Ó David! É verdade que você acha que orou muito bem?”. Toda noite eu estou habituado a orar 1,000 Tasbihs e em cada Tasbih três mil Hamds são proferidas.

Às vezes, quando eu estou no fundo de um lago e ouço a voz de um passarinho acima de mim, achando que ele está com fome, eu vou até a superfície da água, de modo que o pássaro faminto possa se alimentar me comendo. Isso faz parte da minha obrigação perante Deus.

Moral da História: Nós não devemos nos sentir orgulhosos das orações que nós fazemos para o nosso Senhor.

Não Transgrida

Num certo dia Profeta Salomão estava sentado à beira de um rio absorto na contemplação da beleza da natureza a sua volta e apreciando as várias formas das criações de Deus na terra.

Subitamente, a atenção do Profeta Salomão se voltou para uma formiga que caminhava lentamente com um grão de trigo na sua boca. Quando ela chegou próximo à água, uma tartaruga saiu do mar e abriu a sua boca. Nesse momento, a formiga entrou na boca da tartaruga e esta, fechando a sua boca, desapareceu mergulhando na água. Depois de um tempo, a tartaruga imergiu da água novamente e parou à beira do rio, abrindo a sua boca para que a formiga pudesse sair.

Profeta Salomão – que havia recebido de Deus o dom de compreender a linguagem dos animais e que, portanto, conseguia se comunicar com eles – ficou ansioso para saber o que havia acontecido debaixo d’água. Ao inquirir, a formiga explicou que no fundo do rio havia uma pedra e debaixo desta pedra vivia uma formiga cega. Deus a havia criado lá e em função da sua cegueira, ela não conseguia se locomover. A formiga disse ainda: “Eu fui apontada por Deus para prover o sustento diário dela com a assistência da tartaruga e, por conseguinte, eu cumpro esse meu dever todos os dias”.

Moral da História: Vamos refletir por alguns minutos. Se uma pequena criatura como uma formiga vivendo sob uma pedra no fundo de um rio não tem o seu sustento negado, por qual motivo deve o homem, a mais nobre de todas as criaturas, suspeitar do seu sustento vindo de Deus? Não constitui uma total estupidez da nossa parte sujar nossas mãos em atividades ilícitas para obter a nossa subsistência? Tais pessoas não obtêm nada além do que lhe foi destinado obter, além da Ira e da Punição de Deus no Outro mundo.

A quem nós devemos agradar

Luqman foi um homem especialmente abençoado por Deus com sabedoria. Ele era um negro africano que foi comprado como escravo na sua infância e vendido em outro país, que viveu no tempo do Profeta Davi. Ele era um homem extremamente piedoso que costumava se manter em silêncio a maior parte do tempo, enquanto refletia sobre a essência da vida. Às vezes, ele ia ter com o Profeta Davi para discutir problemas. Luqman era tão sábio e respeitado que um capítulo inteiro do Alcorão, capítulo 31, leva o seu nome.

Certo dia, Luqman disse ao seu filho: “Ó filho meu! Não busqueis o aprazimento das pessoas, pois não obterás sucesso. Não dês atenção ao que as pessoas dizem. Ao contrário, sempre busque o aprazimento de Deus”.

Luqman queria que essa lição fosse sempre lembrada e nunca mais esquecida. Então, ele teve uma idéia. Ele disse para o seu filho montar num burro. O filho acatou e o pai o seguiu logo atrás, a pé. Eles viajaram dessa maneira por algum tempo. Num dado momento, eles encontraram um grupo de pessoas. Vendo o filho montado no burro, um deles disse: “Que filho mau e sem educação. O velho pai caminhando a pé e o filho montado confortavelmente no burro. Isso não é maneira de mostrar respeito pelo pai!”.

Pai e filho escutaram isso. O filho desceu do burro e o pai montou no animal. Depois de certo tempo, eles cruzaram outro grupo de pessoas. Ao ver o pai montado no burro, o mais velho do grupo disse: “Ó meu velho! Essa não é a maneira apropriada de criar um filho. Você faz ele caminhar neste sol escaldante, enquanto você se senta confortavelmente no burro”.

Luqman prestou atenção ao que as pessoas disseram. Ele desceu do burro. Pai e filho andavam a pé agora e o burro seguia a frente de ambos. Eles andaram um pouco mais. As pessoas ao vê-los disseram: “Quão tolos vocês são! Vocês caminham à frente de um burro! Por que vocês não montam nele?”.

Luqman e seu filho novamente aceitaram o que as pessoas disseram. Ambos montaram no burro e seguiram viagem. No caminho, ele passaram por um rio. Havia uma ponte a ser cruzada. Algumas pessoas estavam sentadas ali.

As pessoas notaram Luqman e seu filho montados no burro. Um deles disse: “É bastante cruel e indelicado da vossa parte montar simultaneamente no burro. O pobre animal mal consegue agüentar o peso de vocês dois”.

Assim, tomando esse conselho, Luqman e seu filho desmontaram do burro e percorrem mais uma pequena distância. Olhando afavelmente para o filho, Luqman disse: “Você viu e ouviu o que as pessoas disseram. Agora, deve estar claro para você que não importa o que você faça ou qualquer que seja a direção que você tome, você nunca conseguirá agradar as pessoas deste mundo”. Ele apontou para rio e disse: “Uma pessoa pode construir um muro no meio deste rio. Isso impedirá o fluxo da água. Mas é impossível manter a boca das pessoas longe de julgamentos e críticas”.

Al-Hamdulillah (Glória a Deus), Shukran Lillah (Obrigado Deus)

Certa feita, Profeta Jesus perguntou a Deus quem era a pessoa mais próxima d’Ele na terra. Naquele instante, Deus deu as direções onde ele podia encontrar uma mulher chamada Mumina.

Seu sinal era que ela estava se recordando de Deus. Profeta Jesus a encontra. Ela é uma pessoa sem braços, pernas e olhos. Sem casa para morar e destituída, ela é deixada à mercê dos transeuntes para lhe dar algo para poder sobreviver. Ainda assim, com a sua língua, ela está sempre ocupada agradecendo a Deus e O louvando, dizendo: “Ó Senhor! Al-Hamdulillah (Glória a Deus). Tu tens me dado tanto! Como eu poderei Te agradecer. Tu tens me dado o que Tu não tens dado a tantos outros. Por quê? Eu não sei. Isso é apenas uma demonstração da Tua graça. Al-Hamdulillah…”.

Profeta Jesus a cumprimenta e ela responde com um cumprimento superior, se dirigindo a ele como Ruhullah (Espírito de Deus). Jesus está perplexo. Ele indaga: “Ó Mumina! O que é isso que Deus te deu pelo qual tu és tão agradecida? Decerto, Deus é Gracioso. Mas no seu caso, o indivíduo poderá notar o quanto Deus não te deu (ao invés do que Ele te deu).

“Ó Jesus, Espírito de Deus!”, ela responde. “Ele tem me dado a Sua recordação. Ele não me deu pés que andariam no caminho do proibido (Haaram). Ele não me deu mãos que atuariam de acordo com o proibido. Ele não meu deu olhos que olhariam o proibido. Mesmo assim, eu posso reconhecer a ti sem o auxílio deles. E quanto a minha língua, Ele a tem mantido ocupada em Seu louvor. Al-Hamdulillah. Me digas quantos, Ele tem abençoado dessa maneira?”.

Este é o Mundo, assim, pois, tomeis cuidado com ele!

Um homem acompanhou Profeta Jesus, o filho da Virgem Maria, e disse que iria junto com ele. Eles caminharam juntos até chegar a um rio, onde sentaram e começaram a comer. Eles tinham três pedaços de pão. Dois deles, eles comeram, restando apenas um.

Profeta Jesus foi ao rio para beber um pouco de água, mas quando retornou ele não encontrou o terceiro pedaço de pão. Então, ele perguntou ao homem quem havia pegado o pão. O homem disse que não sabia.

Eles continuaram viagem até que encontraram uma corça seguida por dois filhotes. Profeta Jesus chamou um dos filhotes, o matou, o assou e então ambos o comeram. Em seguida, Profeta Jesus se dirigiu ao filhote[que havia sido comido] dizendo: “Ressuscitei!”, e o filhote voltou à vida e foi embora. Então, Profeta Jesus disse para o homem: “Pelo Deus que te mostrou esse milagre, me digas quem pegou o pedaço de pão!?”. Ele respondeu que não sabia.

Eles seguiram viagem até chegar a um lago. Profeta Jesus tomou a mão do homem e o levou consigo por cima da água. Ao chegar à outra extremidade do lago, Profeta Jesus disse: “Por Aquele que te mostrou esse milagre, me digas quem pegou aquele pedaço de pão?”. Ele respondeu que não sabia.

Eles continuaram até chegar a um deserto, onde sentaram. Profeta Jesus pegou uma porção de areia e disse: “Pela permissão de Deus, seja ouro!”. A areia se transformou em ouro e ele a dividiu em três partes, dizendo: “Um terço é para mim, um terço é para ti e um terço é para quem pegou aquele pedaço de pão”.

O homem disse imediatamente: “Tudo bem, eu peguei aquele pedaço de pão”.

Nisso, Profeta Jesus disse: “Nesse caso, as três partes deste ouro são tuas”, indo embora depois disso.

O homem encontrou dois outros homens no deserto. Eles queriam tomar o seu ouro e matá-lo, mas ele disse: “Vamos dividir o ouro em três partes”. Eles decidiram enviar um deles para uma vila para comprar comida.

O homem que foi para vila disse para si: “Por que devo eu deixar que eles tenham partes dessa riqueza? Eu colocarei veneno na comida e os matarei”. Então, ele envenenou a comida.

Os outros dois disseram: “Por que devemos nós dar um terço desta riqueza para ele. Quando ele voltar, nós o mataremos e dividiremos a parte dele entre nós”.

Quando, ele retornou, eles o atacaram e o mataram. Depois, eles comeram a comida envenenada e morreram. O ouro ficou no deserto com os três homens mortos ao seu lado.

Profeta Jesus passou por eles depois e disse para os discípulos: “Este é o mundo, assim, pois, tomeis cuidado com ele!”.

Moral da História: Queridos amigos, vamos nos contentar com aquilo que temos, seja isso pouco ou muito, mas não deixemos ser enganados por este mundo! Nas palavras do Imam Ali: “Este mundo é como uma serpente, tão macia de tocar, porém tão cheia de mortífero veneno. Os ignorantes são atraídos por ele, mas os sábios o evitam e se afastam dos seus efeitos venenosos”.

Jó (Aiiub), o Profeta

Diz-se que a mãe do Profeta Jó era uma descendente do Profeta Ló e que seu pai era descendente do Profeta Esaú (al-Eis) e sua esposa se chamava Rahima, filha de Ephraim, filho do Profeta José. Ele viveu na terra de Hauran. Deus lhe concedeu muitas benções. Ele era rico e possuía um largo rebanho de ovelhas e várias terras. Ele tinha muitos filhos e era bastante respeitado pelo seu povo.

Profeta Jó era um homem generoso no tocante a sua riqueza, que cuidava dos órfãos e dava de comer ao pobre. Ele tinha ciência das necessidades de todos, especialmente as de seus parentes, a quem ele sempre tratava com a maior gentileza. Em virtude de todas as suas benções, Profeta Jó se mantinha sempre grato a Deus.

Profeta Jó é famoso por sua paciência, que se tornou conhecida como a “paciência de Jó”. Ele foi testado com a perda de tudo aquilo que ele possuía. Ele passava a maior parte do seu tempo fazendo orações e meditações. A despeito da perda de toda a sua riqueza, saúde e filhos a um nível de miséria, ele nunca perdeu a sua paciência, se tornando um exemplo de humildade, paciência e confiança na Vontade Divina. A cada perda, ele agradecia a Deus e permanecia paciente. E no final, ele foi testado com a enfermidade do seu corpo.

O Alcorão Sagrado não nos diz muito a respeito do Profeta Jó, salvo sua longa enfermidade e sua extrema paciência em suportar a dor. Numa tradição é relatado que certa feita Abu Basir perguntou ao Imam Jafar Sadiq a razão pela qual o Profeta Jó foi acometido por tantas calamidades. O Imam respondeu que Deus, o Altíssimo, o abençoou com uma variedade de benções e que ele costumava agradecer a Deus como ele deveria agradecer, em proporção às benções de Deus. Em função da sua gratidão, ele foi chamado de “Excelente Servo”.

Durante a sua época, Satanás teve a permissão para visitar os céus. Certo dia, ele ficou bastante surpreso ao ver que Profeta Jó era muito respeitado por sua gratidão a Deus. Satanás se imbuiu de inveja dele. Ele (Satanás) dirigindo-se a Deus disse: “Ó meu Senhor! Jó O agradece porque Tu o tens abençoado com a abundância das suas benções. Dê-me autoridade sobre a sua riqueza e filhos. Então, Tu verás que ele Te esquecerá (ao não Te agradecer)”.

Deus estava bastante ciente da paciência e da firmeza do Profeta Jó, mas como um teste para o Seu Profeta e como lição para a humanidade, ele atendeu o pedido de Satanás. Este, então, destruiu toda a sua riqueza e seus filhos também morreram. A cada perda, porém, Profeta Jó se tornava cada vez mais agradecido a Deus.

Satanás então disse: “Ó Senhor! Dê-me autoridade sobre suas terras!”. Satanás e seu exército destruíram as terras com todos os seus produtos. Jó, porém, agradeceu a Deus na ocasião dessa perda também. Satanás, então, disse: “Ó Senhor! Dê-me autoridade sobre seu rebanho”. Deus atendeu esse pedido também. Satanás obtendo essa autoridade destruiu o rebanho também, mas Profeta Jó agradeceu a Deus no acometimento dessa calamidade também. Então, Satanás disse: “Ó meu Senhor! Eu estou certo que o que foi destruído será devolvido a ele depois, portanto dê-me autoridade sobre o seu corpo”.

Deus disse: Eu te dou autoridade sobre o corpo dele inteiro, mas menos sobre a sua faculdade de raciocínio (Aql), seus olhos, ouvidos e língua. Satanás através do calor do seu corpo que é feito de fogo provocou uma série de doenças na superfície da sua pele como furúnculos, abscessos, bolhas, feridas, etc. Toda a sua superfície externa foi afetada, mas mesmo assim Profeta Jó nunca deixou de agradecer a Deus. É dito que existiam milhões de minúsculas larvas na sua pele enferma. É também relatado que toda vez que uma larva saía do seu corpo, ele costumava levantá-la e colocava-a no lugar de onde ela havia saído, dizendo: “Ó criação de Deus, retornes ao lugar o qual Deus te destinou em meu corpo”.

Aqueles que possuíam uma fé fraca em Deus suspeitaram que Jó havia cometido algum pecado, ao passo que outros que tinham um coração piedoso diziam que Jó como Mensageiro de Deus estava sendo usado para manifestar a paciência ideal. Sua enfermidade durou por um longo tempo até que os seus visitantes começaram a sentir repulsa por ele. Seus amigos se afastaram dele e as pessoas se abstiveram de visitá-lo. Ninguém sentia simpatia por ele, exceto a sua esposa. Ela cuidou muito bem dele, sabedora da sua prévia benevolência para com ela.

Por fim, Satanás, mais uma vez, tentou fazer com que Profeta Jó perdesse a sua paciência e duvidasse da Misericórdia de Deus para com ele. Profeta Jó orou a Deus contra a tentativa por parte de Satanás de transtornar a sua fé n’Ele e mencionou a conversa das pessoas dizendo que ele havia cometido algum pecado que seria responsável pelo sofrimento que ele estava passando.

Enquanto rogava a Deus, Jó disse: “Senhor! Por acaso eu alguma vez dormi com o estômago cheio sem ter alimentado um faminto? Acaso eu não provi o despido com roupas? Acaso eu não paguei a dívida do devedor quando ele estava sendo pressionado pela demanda do credor? E não é verdade que Tu foste misericordioso para comigo durante todo esse tempo?”. Uma voz do céu o chamou dizendo: “E Quem foi Aquele que te guiou com a inclinação para fazer todo o bem que tu fizeste?”. Profeta Jó se sentiu envergonhado e bradou imediatamente: “Tu, meu Senhor! Foste Tu que me guiaste a fazer todo o bem que eu pratiquei”.

A oração do Profeta Jó não foi devido a nenhuma perda de paciência da sua parte, mas contra o contínuo efeito e esforço de Satanás para instigá-lo através de variados meios e métodos. Quando Satanás falhou em todas as suas tentativas de deixar o Profeta Jó impaciente e em forçá-lo a orar a Deus pela sua recuperação e fazendo, assim, com que ele se privasse de ser considerado “o paciente no caminho de Deus”, Satanás pensou em usar a esposa de Jó na tentativa de desviá-lo do seu propósito.

Uma vez, Satanás apareceu travestido de um médico experiente e de alguma forma convenceu a esposa de Jó de que se ela conseguisse pegar a ovelha que ele tinha com ele e a sacrificasse no seu nome, Jó iria recuperar a sua saúde imediatamente. A esposa que estava interessada no bem-estar de Jó foi até o seu marido e relatou a sugestão do médico. Profeta Jó advertiu sua esposa a não se deixar ludibriar pelo o homem, pois não se tratava de nenhum outro além de Satanás. Novamente, Satanás apareceu como um jovem homem montado num cavalo e disse: “Eu sou o rei da terra e desde que o seu marido não prestou adoração a mim, mas a Deus, o Rei dos Céus, eu causei a perda da sua riqueza e dos seus filhos. Mas, se você se prostrar perante mim agora, eu restabelecerei a saúde do seu marido e restaurarei toda a riqueza que ele perdeu”.

A piedosa senhora disse que consultaria o seu marido e faria o que ele dissesse para ela. Satanás disse: “Se isso não for possível, eu ficarei contente se você conseguir fazer com que o seu marido evite dizer “Bismillah” (Em nome de Deus) antes de iniciar a refeição dele, bem como mencionar “Al-Hamdulillah” (Graças a Deus) depois de finalizar a refeição”. Quando a sua esposa relatou o acontecido a Jó, ele ficou bastante irritado e disse: “Tu tens dado ouvido a Satanás o dia inteiro...”. A pobre dama partiu triste e quando Jó ficou sozinho e não conseguiu se levantar para realizar suas orações é dito que ele se submeteu a Deus dizendo: “Decerto, aflições têm me acometido”.

As orações de Jó curavam pacientes incuráveis, mas quando as pessoas perguntavam para ele porque ele não orava para si próprio, ele dizia: “Eu desfrutei da Graça e das Benções de Deus por oitenta anos e seria impróprio da minha parte queixar-me a Ele no momento em que eu sou obrigado a provar dessa adversidade por um (período limitado de) tempo”. Ele sofreu por sete (7) anos e apenas contra os esforços contínuos de Satanás para extraviá-lo, ele lamentou junto a Deus e não pela perda da sua saúde ou da sua riqueza.

Deus registra a sua oração assim:

“E (recorda-te) de quando Jó invocou a seu Senhor (dizendo): Em verdade, a adversidade tem me atingido; porém, Tu és o mais clemente dos misericordiosos!” (21:83).

“E recorda-te do Nosso servo Jó que queixou-se ao Senhor dizendo: Satanás me aflige com dor e aflição!” (38:41).

Em resposta, Deus lhe disse: “Golpeia (a terra) com teu pé! Eis aí um manancial para banho refrescante e bebida” (38:42).

Profeta Jó foi instruído por Deus a golpear a rocha e desta jorrou duas fontes de água: uma de água quente para ele purificar o seu corpo de todas as enfermidades físicas e a outra para ele beber e refrescar a sua alma. Ele foi curado e sua saúde foi restabelecida completamente.

A água da fonte escoou e irrigou os campos queimados cobertos de cinzas, fazendo-os ficar verdes. A Água Sagrada penetrou na terra e irrigou as covas dos filhos de Jó que haviam morrido. Os seus filhos foram ressuscitados. Tudo retornou ao estado em que estava sete anos atrás quando Jó estava são ou ainda mais.

Deus queria que as pessoas soubessem que Ele tem o poder para deixá-los doentes assim como para curá-los, para deixá-los pobres como para enriquecê-los. E também que eles não tinham nenhum direito de rejeitar o pobre em função da sua pobreza, o fraco devido a sua fraqueza e o idoso por força da sua idade.

Deus disse: “E lhe restituímos a família, aumentando-a com outro tanto, como prova da Nossa misericórdia, e mensagem para os sensatos”. (38:43)

Profeta Jó morreu aos duzentos e vinte e seis (226) anos de idade. Sua história é um sinal e uma lição para todas as pessoas. Ela mostra que Deus, o Altíssimo, tem poder sobre todas as coisas.

Há uma grande lição para nós na paciência do Profeta Jó: ele agüentou suas adversidades sem amargor e se submeteu à Vontade de Deus, o Qual recompensa incomensuravelmente aqueles que permanecem firmes na busca do Seu aprazimento.